Seminário
Neutrinos em
espaço-tempo curvo
O que acontece com a oscilação de sabor quando a viagem segue uma geodésica — e não uma reta.
Roteiro
Três partes, uma pergunta
I
Espaço-tempo curvo
Einstein, Schwarzschild, objetos compactos: onde só a Relatividade Geral descreve bem, e o que a métrica faz com um neutrino.
II
A supernova, e os neutrinos no poço
Como a estrela colapsa, de onde vem a onda de choque, e o que acontece com o sabor quando a emissão é dentro de um poço gravitacional fundo.
III
GHOST: resultados
A frente de choque na ressonância MSW: o critério, o custo em PH, o viés no DUNE e onde procurar.
Premissa · Wolfenstein 1978 · Mikheyev & Smirnov 1985
MSW: um problema de dois níveis
A ressonância acontece quando o termo diagonal se anula:
Um cruzamento evitado com evolução adiabática — e a ponte para supernovas, onde o perfil ne(r) varre a ressonância.
Adiabaticidade · 1
Na base que acompanha a matéria
Passe da base de sabor para a base instantânea de matéria:
Como U depende de x, a equação de Schrödinger ganha um termo:
Ponte com o slide anterior: U(θm) diagonaliza o H de lá:
Δm cos 2θm = Δ cos 2θ − V · Δm sin 2θm = Δ sin 2θ
O slide anterior dá o hamiltoniano num ponto; diagonalizá-lo define θm e Δm; aqui perguntamos o que acontece quando θm muda ao longo do caminho.
O gradiente da densidade reaparece como um termo fora da diagonal na base dos autoestados instantâneos.
Uma competição direta:
Condição adiabática:
Mais fundamental que “a densidade varia devagar”: o que importa é o ritmo da rotação da base comparado ao gap.
Adiabaticidade · 2
Por que a ressonância é o lugar crítico
Na ressonância, V = Δ cos 2θ e θm = π/4. A separação entre os níveis é mínima:
Um cruzamento evitado. Longe dela os níveis estão bem separados; perto, ficam o mais próximos possível — e é ali que a base gira mais rápido (área rosa).
É onde fica mais fácil a transição ν₁ᵐ ↔ ν₂ᵐ. Por isso a adiabaticidade se avalia na ressonância.
Adiabaticidade · 3
O parâmetro de adiabaticidade γ e Landau–Zener
| se… | γ | Pjump | por quê |
|---|---|---|---|
| energia E maior | ↓ | ↑ | Δ = Δm²/2E cai: gap menor |
| Δm² maior | ↑ | ↓ | gap maior |
| mistura θ maior (até 45°) | ↑ | ↓ | gap mínimo Δ sin 2θ maior |
| densidade varia devagar | ↑ | ↓ | escala |d ln ne/dx|⁻¹ grande: a base gira devagar |
| frente de choque (degrau) | → 0 | máx. | escala → 0: salto súbito |
γ ≫ 1 → adiabático: segue o ramo · γ ≲ 1 → pula de ramo
A ressonância determina onde os autoestados se misturam maximamente; a adiabaticidade determina se o neutrino acompanha esses autoestados enquanto eles mudam.
Adiabaticidade · 4 · supernova M15-7b
A frente de choque atravessa a ressonância
I
Parte um
Espaço-tempo
curvo
Gravidade não é força: é geometria. Longe das estrelas, a diferença é uma correção minúscula. Perto de um objeto compacto, é tudo.
25 de novembro de 1915
Einstein e suas equações de campo
F. Schmutzer · domínio público“O espaço-tempo diz à matéria como se mover; a matéria diz ao espaço-tempo como se curvar.”
Os testes clássicos
Sobral, 1919: a luz faz curva
ESO / Landessternwarte Heidelberg-Königstuhl / Dyson, Eddington & Davidson · CC BY 4.0| efeito | RG prevê |
|---|---|
| periélio de Mercúrio (1915) | 43″ / século |
| desvio da luz rasante ao Sol (1919) | 1,75″ |
| desvio para o vermelho, Pound–Rebka (1959) | 2,5×10⁻¹⁵ em 22,5 m |
| atraso de Shapiro (1964) | ~200 μs |
| relógios do GPS | +38 μs / dia |
Expedição de Sobral (CE): 1,98 ± 0,12″. Príncipe: 1,61 ± 0,30″. O céu do Nordeste confirmou Einstein.
1859 – 1915 · o periélio de Mercúrio
Mercúrio não fecha a órbita
| avanço do periélio | por século |
|---|---|
| observado (relativo às estrelas) | 574″ |
| outros planetas, por Newton | 531″ |
| sobra sem explicação | 43″ |
Le Verrier encontrou a sobra em 1859 e propôs um planeta escondido, Vulcano. Nunca foi achado. Einstein obteve os 43″ sem nenhum parâmetro ajustável.
“Por alguns dias, fiquei fora de mim de excitação alegre.”
1959 · Pound & Rebka · torre Jefferson, Harvard
A luz perde energia ao subir
Raios γ de 14,4 keV do ⁵⁷Fe (efeito Mössbauer). Pound & Rebka, PRL 4, 337 (1960): ~10%; Pound & Snider, Phys. Rev. 140, B788 (1965): ~1%. A cada 12 s fonte e absorvedor trocam de lugar, como no experimento.
O espaço em fluxo · Hamilton & Lisle 2008
O espaço cai · estrela de nêutrons
Cada nó é um referencial local em queda livre, solto do repouso lá longe. Nas coordenadas de Gullstrand–Painlevé o espaço é plano e escoa para dentro com a velocidade de escape, v = √(2GM/r): a rede é carregada pelo fluxo. Perto da massa os nós correm mais — as linhas se curvam, as células esticam na radial e apertam nas laterais: a maré. Na superfície da estrela o fluxo já corre a 0,59 c.
O espaço em fluxo · Hamilton & Lisle 2008
O espaço cai · buraco negro
A mesma rede, agora sem superfície para parar a queda. No horizonte o fluxo corre exatamente a c: um sinal de luz apontado para fora só consegue ficar parado ali, e por dentro dele é arrastado para dentro. Por isso nada sai. A linha tracejada é o ritmo de um relógio mantido parado — ele vai a zero no horizonte, onde ficar parado já é impossível.
Dezembro de 1915 · front russo
Schwarzschild e a primeira solução exata

1 rs
horizonte de eventos
1,5 rs
esfera de fótons
3 rs
ISCO: última órbita estável
2,95 km
rs do Sol (Terra: 8,9 mm)
Escreveu a Einstein em 22 de dezembro de 1915, servindo como artilheiro. Morreu em maio de 1916.
O que nos interessa da métrica
A curvatura faz duas coisas com um neutrino
1 · Muda a energia
Um neutrino emitido em r com energia local E chega ao infinito com
O espectro inteiro desliza para baixo, e o relógio da fonte anda mais devagar visto de fora.
2 · Encurva o caminho
A trajetória é uma geodésica, não uma reta. Perto de um objeto compacto o desvio é grande, e caminhos diferentes podem ligar a mesma fonte ao mesmo detector.
Fótons e neutrinos seguem a mesma geometria, o que a SN 1987A confirmou a ~0,5%.
As duas importam porque, numa supernova, a emissão é fundo no poço e a detecção é longe dele.
E há uma terceira, mais sutil
A fase de oscilação é acumulada ao longo da geodésica, com o tempo próprio da partícula. Em espaço-tempo plano ela vira o familiar Δm²L/4E; em métrica curva, não.
Voltamos a isso em três laminas.
Nada disso é opcional quando a densidade que define a ressonância MSW é medida no referencial local e o detector está a 10 kpc.
Quanto, em números
O que chega não é o que saiu
| onde | R | u = rs/R | z |
|---|---|---|---|
| neutrinosfera, 1,4 M☉ | 30 km | 0,138 | 0,077 |
| neutrinosfera mais fria | 50 km | 0,083 | 0,044 |
| estrela de nêutrons fria | 12 km | 0,345 | 0,235 |
| disco de colapsar, 3 M☉ | 3 rs | 0,333 | 0,225 |
Na fase de acreção, o espectro que o DUNE vê saiu ~8% mais energético do que chega.
E o intervalo de tempo também: o que a estrela vive em 1 s, nós medimos em 1,08 s. A curva de luz de neutrinos é lida com o relógio errado se a métrica for ignorada.
Por que isso importa para a ressonância
A condição MSW envolve a energia local. Usar a energia detectada no lugar dela desloca a densidade de ressonância por ~8%, e portanto desloca o raio onde a conversão acontece.
u e z calculados com rs = 2GM/c²; z = (1 − u)−1/2 − 1.
Dashboard · geodésicas nulas de Schwarzschild
Luz e neutrinos perto de um buraco negro
Todo raio que chega com b < 3√3 M cai. Logo acima disso, ele dá voltas em torno da esfera de fótons antes de escapar.
Um neutrino ultrarrelativístico segue, em primeira ordem, a mesma geodésica nula. A massa entra como correção ∝ m²/E² — e é exatamente essa correção que carrega a fase de oscilação.
Compacidade · 1/8
Onde a RG deixa de ser correção
z = (1 − rs/R)−1/2 − 1 · relógio parado na superfície comparado ao infinito · desvio calculado pela integral exata da órbita (fraco: 2rs/R).
Compacidade · 2/8
Onde a RG deixa de ser correção
z = (1 − rs/R)−1/2 − 1 · relógio parado na superfície comparado ao infinito · desvio calculado pela integral exata da órbita (fraco: 2rs/R).
Compacidade · 3/8
Onde a RG deixa de ser correção
z = (1 − rs/R)−1/2 − 1 · relógio parado na superfície comparado ao infinito · desvio calculado pela integral exata da órbita (fraco: 2rs/R).
Compacidade · 4/8
Onde a RG deixa de ser correção
z = (1 − rs/R)−1/2 − 1 · relógio parado na superfície comparado ao infinito · desvio calculado pela integral exata da órbita (fraco: 2rs/R).
Compacidade · 5/8
Onde a RG deixa de ser correção
z = (1 − rs/R)−1/2 − 1 · relógio parado na superfície comparado ao infinito · desvio calculado pela integral exata da órbita (fraco: 2rs/R).
Compacidade · 6/8
Onde a RG deixa de ser correção
z = (1 − rs/R)−1/2 − 1 · relógio parado na superfície comparado ao infinito · desvio calculado pela integral exata da órbita (fraco: 2rs/R).
Compacidade · 7/8
Onde a RG deixa de ser correção
z = (1 − rs/R)−1/2 − 1 · relógio parado na superfície comparado ao infinito · desvio calculado pela integral exata da órbita (fraco: 2rs/R).
Compacidade · 8/8
Onde a RG deixa de ser correção
z = (1 − rs/R)−1/2 − 1 · relógio parado na superfície comparado ao infinito · desvio calculado pela integral exata da órbita (fraco: 2rs/R).
Objetos compactos
O zoológico onde só a RG descreve
NASA, ESA, J. Hester & A. Loll · DP
NASA/CXC/M. Weiss · DP
EHT Collaboration · CC BY 4.0
EHT Collaboration · CC BY 4.0Gravidade forte, medida
Pulsares binários e ondas gravitacionais
Stodolsky 1979 · Fornengo, Giunti, Kim & Song 1997
A fase ao longo da geodésica
Dedução em uma linha: com E e J = Eb conservados, Et − Jφ − ∫prdr cancela tudo, menos o termo de massa.
1 · Radial: a gravidade “se esconde”
Φ = Δm²(rB − rA)/2E∞, a mesma forma do caso plano. Mas em grandezas locais (distância própria ∫dr/√B, energia Elocal) a fórmula plana erra.
2 · Não radial: o caminho importa
A fase depende de b. Caminhos diferentes entre a mesma fonte e o mesmo detector acumulam fases diferentes.
3 · Muitos caminhos: interferência
Numa lente, a diferença de fase entre caminhos é ∝ mk², não só Δm²: a gravidade dá acesso à massa absoluta.
Dashboard · uma geodésica que nasce na fonte
Redshift, desvio e fase desde a emissão
II
Parte dois
Neutrinos em
espaço-tempo curvo
Eles nascem dentro do poço. Atravessam regiões que a luz não atravessa. E chegam aqui com uma fase que lembra o caminho.
23 de fevereiro de 1987 · Grande Nuvem de Magalhães
SN 1987A: neutrinos antes da luz
ESA/Hubble & NASA · CC BY 4.011
Kamiokande-II
8
IMB
5
Baksan
Em ~13 s, a 168 000 anos-luz. Chegaram horas antes da luz: os fótons ficam presos no envelope, os neutrinos não. 99% dos ~3×10⁵³ erg do colapso saem em neutrinos.
Teste de gravitação com duas dúzias de eventos
Neutrinos e fótons sofreram o mesmo atraso de Shapiro no potencial da Galáxia (meses) — dentro de ~0,5% (Krauss & Tremaine; Longo, 1988). Neutrinos caem como a luz.
Anatomia · supernova de colapso de núcleo
As fases, e quando cada uma acontece
| fase | quando | raio | o que acontece |
|---|---|---|---|
| colapso | −200 a 0 ms | 3 000 → 30 km | o núcleo de ferro perde pressão e cai a ~0,25 c |
| rebote | t = 0 | ~10 km | a matéria nuclear endurece e o núcleo interno rebate |
| choque imediato | 0 – 5 ms | 10 → 100 km | nasce no ponto sônico e corre para fora |
| surto de νe | ~5 ms | ~100 km | ~1053 erg/s ao furar a neutrinosfera |
| estagnação | ~20 ms | ~150 km | vira um choque de acreção parado |
| aquecimento por ν | 0,1 – 1 s | 100 – 200 km | a região de ganho recebe alguns por cento da luminosidade |
| revivescimento | ~0,3 s | ~200 km | o choque volta a avançar: a estrela explode |
| propagação | 1 s – horas | 10³ → 10⁶ km | atravessa o manto e o envelope |
O orçamento de energia
A ligação gravitacional liberada é de 3×1053 erg. Dela, 99% sai em neutrinos, e só ~1051 erg viram energia cinética da explosão.
A supernova é, antes de tudo, um evento de neutrinos. A luz é o troco.
Antes do quadro: um dia de queima de silício monta o núcleo de ferro de ~1,4 M☉. Durante a queda, acima de 1012 g/cm³ os νe ficam aprisionados, e o rebote se dá em 2,7×1014 g/cm³.
Tempos do mecanismo atrasado de Bethe & Wilson (1985). Os raios variam com o progenitor; estes são típicos de ~15 M☉.
Visto de fora
A explosão, o remanescente e o pulsar
O que o quadro anterior descreve por dentro, visto por um telescópio: a estrela se acende, a onda de choque rompe a superfície, os detritos se expandem — e no centro fica a estrela de nêutrons, agora um pulsar, com sua nebulosa de vento.
Animação artística · NASA’s Goddard Space Flight Center Conceptual Image Lab (animação: Jonathan North) · SVS 20413 · domínio público. Os neutrinos saíram horas antes do primeiro clarão.
O ponto delicado do mecanismo
O choque estagna, e precisa ser revivido
O choque imediato não explode a estrela. Ele gasta toda a energia antes de sair.
Fotodesintegração
Quebrar ferro em núcleons custa 8,8 MeV por núcleon. Atravessar 0,1 M☉ de ferro consome ~1,7×1051 erg, da ordem de toda a energia do choque.
Perda por neutrinos
Ao cruzar a neutrinosfera, a matéria recém-chocada fica transparente e despeja o surto de neutronização. Mais energia embora.
Em ~20 ms ele para em ~150 km: vira um choque de acreção estacionário.
O que o revive
Entre a neutrinosfera e o choque há a região de ganho, onde a absorção de νe e ν̄e supera a emissão. Alguns por cento da luminosidade depositados ali bastam para empurrar o choque de volta.
Só que o depósito é marginal: em simetria esférica quase nunca basta. O que fecha a conta é a convecção e a SASI, que seguram a matéria mais tempo na região de ganho.
Por isso o problema só se resolveu em 3D, e por isso cada progenitor explode num instante diferente.
Animação · o mecanismo atrasado
Os neutrinos reacendem o choque
Esquema, não simulação: raios e tempos típicos de uma estrela de ~15 M☉ (os da tabela de fases), mecanismo de Bethe & Wilson (1985). Violeta: neutrinos saindo da neutrinosfera; laranja: os que depositam energia na região de ganho.
Astrofísica · Woosley 1993
Colapsares: quando a estrela não consegue explodir
NASA, ESA, CSA, STScI, Webb ERO · CC BY 4.0Uma estrela Wolf–Rayet de ~30 M☉, girando depressa, perdeu o envelope de hidrogênio.
- O núcleo de ferro colapsa e o choque não reverte: forma-se um buraco negro de ~2–3 M☉.
- O envelope tem momento angular demais para cair direto: forma-se um disco de acreção a poucos rs.
- Acreção de 0,01–1 M☉/s por dezenas de segundos → jatos relativísticos que furam a estrela.
WR 124, fotografada pelo JWST em 2023: o tipo de estrela que pode terminar assim.
MacFadyen & Woosley 1999 · Popham, Woosley & Fryer 1999
Um motor resfriado por neutrinos
No disco interno, a matéria é tão quente e densa que fótons ficam presos. Quem leva o calor embora são os neutrinos: é um NDAF (neutrino-dominated accretion flow).
NASA/GSFC/ICRAR · DPE esses neutrinos são emitidos a poucos rs de um buraco negro em rotação, onde a geometria é Kerr, não Minkowski.
Onde os neutrinos nascem
A emissão acontece dentro do poço
| fonte | raio de emissão | rs/R | Eemitida/E∞ |
|---|---|---|---|
| Sol, núcleo | ~0,2 R☉ | 2×10⁻⁵ | 1,00001 |
| proto-estrela de nêutrons, ~1 s | neutrinosfera ≈ 30 km | 0,14 | 1,08 |
| estrela de nêutrons, tardia | ≈ 12 km | 0,34 | 1,24 |
| disco de colapsar, ISCO (Schwarzschild) | 3 rs, em órbita | 0,33 | 1,41 |
| disco em torno de Kerr rápido | < 3 rs | > 0,5 | > 1,4 · + Doppler |
A energia que o DUNE mede é E∞. A energia que entra no potencial MSW, nas colisões e nas conversões coletivas é a local — até 40% maior.
Os raios saem curvados: a neutrinosfera parece maior, e a distribuição angular dos neutrinos que se cruzam acima dela muda.
No disco, a razão é ut = (1 − 3M/r)−1/2: redshift gravitacional e transversal juntos. O Doppler do movimento orbital soma ou subtrai conforme a direção.
Dashboard · Swami, Lochan & Dixit 2020
Uma lente gravitacional pesa o neutrino
Fonte a 10 kpc, lente a meio caminho. Dois caminhos, b₊ e b₋. A fase comum, ~m²L/E, é enorme e se perde em qualquer resolução de energia. A diferença entre caminhos sobrevive:
Cada autoestado de massa faz sua própria franja. Mude a massa do mais leve: o padrão muda, e o ordenamento também deixa marca.
Lente pontual, campo fraco, sem matéria; amplitudes ∝ √|μ±|.
A fronteira
O que a gravidade pode nos contar
Massa absoluta
Interferência entre caminhos lenteados é sensível a mk² e ao ordenamento (Fornengo et al. 1997; Swami et al. 2020).
Sabor perto da fonte
MSW e conversões coletivas em grandezas locais; raios curvados mudam o “halo” e as instabilidades rápidas de sabor (Cherry et al. 2012).
Formação de buraco negro
O sinal de neutrinos de uma supernova que vira buraco negro é cortado abruptamente: um relógio para medir tempos de voo e massas (Beacom, Boyd & Mezzacappa 2001).
Nucleossíntese
Em discos de colapsar, o espectro de ν e ν̄ que fixa Ye é deslocado e focalizado pela RG — muda a produção de elementos pesados (Caballero, McLaughlin & Surman 2012).
Princípio de equivalência
Se sabores diferentes sentissem a gravidade de forma diferente, a oscilação ganharia um termo ∝ ΔγΦE (Gasperini 1988; Halprin & Leung 1991).
Descoerência
Pacotes de onda de massas diferentes se separam; em campos fortes, atrasos de Shapiro e desvios também dependem de mk.
Deep Underground Neutrino Experiment
DUNE: 1 300 km de Fermilab a Dakota do Sul
Detector distante: 4 módulos de ~17 kt de argônio líquido (TPCs), a 1,5 km de profundidade. ProtoDUNE, no CERN, é o protótipo em escala real.
Mark Benecke · CC BY-SA 4.0Metas: δCP, ordenamento, octante — e neutrinos de supernova.
Dashboard · aparecimento de νe no DUNE
CP e ordenamento no mesmo gráfico
L = 1 285 km, crosta com ρ = 2,85 g/cm³. Expansão de Cervera et al. (2000) em θ₁₃ e Δm²₂₁/Δm²₃₁.
O efeito de matéria separa ν de ν̄ conforme o ordenamento; δCP desloca e deforma o pico.
Supernova na Galáxia
O DUNE é único para νₑ (νₑ + ⁴⁰Ar → e⁻ + ⁴⁰K*): milhares de eventos para uma SN a 10 kpc, com o pico de neutronização e, se houver, o corte da formação de um buraco negro.
Uma rede de observatórios
Ouvidos abertos para o próximo colapso
Hyper-K Collab. · CC BY 3.0
JUNO Collab. · CC BY 4.0
John Hardin · CC BY 4.0
IceCube Collab. · CC BY 4.0Onde as ressonâncias moram
Duas densidades, dois encontros
A estrela oferece todas as densidades entre 1014 g/cm³ no núcleo e quase nada no envelope. Cada ressonância escolhe a sua.
| ressonância | Δm² | ρ a 20 MeV |
|---|---|---|
| H, θ₁₃ | 2,5×10⁻³ eV² | 1,6×10³ g/cm³ |
| L, θ₁₂ | 7,5×10⁻⁵ eV² | 19 g/cm³ |
As duas ficam no envelope, não no núcleo: a ressonância H está a dezenas de milhares de quilômetros do centro, e a L ainda mais longe.
Só uma delas encontra o choque
A frente de choque leva segundos para varrer o envelope. Quando ela passa por 1,6×10³ g/cm³, cruza a ressonância H. Quando chega aos 19 g/cm³ da L, já está fraca e difusa.
Por isso todo o resto desta palestra é sobre a H.
Ye = 0,5. A densidade escala com 1/E: a 5 MeV a ressonância H está em 6,3×10³ g/cm³, e a 60 MeV em 5,3×10².
A ponte para a Parte III · M15-7b
A frente varre o envelope e cruza a ressonância H
Revivido, o choque corre para fora a ~1,6×104 km/s, varrendo o envelope.
A ressonância MSW-H não mora num raio: mora numa densidade.
Como o choque comprime e empurra o envelope, o raio onde essa densidade vive corre para dentro enquanto o choque corre para fora. Os dois vão se encontrar.
| após o rebote | raio do choque | raio da ressonância |
|---|---|---|
| 3,0 s | 35 011 km | 34 933 km |
| 10,0 s | 149 106 km | 12 471 km |
Em t ≈ 3 s eles coincidem
78 km de diferença em 35 mil, ou 0,2%. Durante uma janela de poucos segundos, a frente de choque está em cima da ressonância, e é ali que o sabor do neutrino é decidido.
Perfis derivados de M15-7b, Garching CCSN Archive (A. Wongwathanarat), medianas angulares.
III
Parte três · resultados
GHOST
Quais estruturas de densidade de uma supernova mudam o sabor que chega ao DUNE — e quanto custa ignorar a única que importa: a frente de choque na ressonância MSW.
O programa
GHOST: oscilação de sabor sem atalhos
Núcleo em C (fork do DAEDALUS, código de caminhadas quânticas em grafos meu e do Prof. Edgard Amorim). O hamiltoniano complexo roda num mergulho real 2n×2n; exposto como uma FlavorTransformation do SNEWPY, o resto da cadeia não muda.
| validação | resultado |
|---|---|
| contra NuOscProbExact (método independente) | 2,2×10⁻¹⁴ em 320 casos |
| 3 sabores + δCP em matéria, contra expm | 7,2×10⁻¹⁵ |
| envelope ρ ∝ r⁻³: Pee contra sin²θ₁₃ | 0,0223635 × 0,0223608 |
| espectro DUNE, 200 energias × 2 | 13 ms |
Da Parte II para cá
Na trajetória radial, os termos gravitacionais da fase se cancelam (Fornengo et al.). O que decide o sabor que sai da estrela é a estrutura de densidade que o neutrino atravessa.
O método
Por que Chebyshev
1 · Precisão garantida
Os coeficientes caem super-exponencialmente quando a ordem passa de ~λΔx (λ: raio espectral). Com limites espectrais rigorosos, o GHOST sabe quantos termos usar para chegar à precisão de máquina — daí os 2,2×10⁻¹⁴ contra o NuOscProbExact.
2 · Passos grandes
Cada fatia de densidade constante é propagada de uma vez, mesmo cobrindo muitos Losc. Um Runge–Kutta pediria passos menores que Losc e acumularia erro e perda de unitariedade em milhares de km.
3 · Sem diagonalizar
Só produtos matriz × vetor. A norma se conserva no nível do arredondamento.
4 · Qualquer H hermitiano
O mesmo código faz 2 ou 3 sabores, fase CP, estéreis e, por trajetórias quânticas, decoerência. Massa e matéria entram como “auto-laços” na diagonal; o H complexo, por um mergulho real 2n×2n.
Os dados · Garching Core-Collapse Supernova Archive
Seis supergigantes azuis, explodidas em 3D
Modelos de A. Wongwathanarat e H.-Th. Janka feitos para a SN 1987A, cuja progenitora, Sanduleak −69 202, era uma supergigante azul — o caso atípico que a tornou famosa.
| modelo | progenitora | referência |
|---|---|---|
| M15-7b | fusão binária (Menon & Heger) | Utrobin+ 2021 |
| W16-3 | estrela única | Utrobin+ 2019 |
| W18-3 | estrela única | Utrobin+ 2019 |
| W18r-2 | estrela única | Utrobin+ 2019 |
| W18x-2 | estrela única | Utrobin+ 2019 |
| W20-5 | estrela única | Utrobin+ 2019 |
Janka recomendou deixar de fora B15-1 e N20-4 (envelope colado à mão num núcleo de hélio). O M15-7b reproduz a cor e a luminosidade de Sanduleak e a curva de luz da SN 1987A.
O que simulam
Explosão guiada por neutrinos em 3D (PROMETHEUS-HOTB): do rebote, passando pelo revivescimento do choque, até muito depois do rompimento na superfície — com a mistura de elementos e o ⁵⁶Ni. As curvas de luz (CRAB) são comparadas com a SN 1987A.
O que recebemos
Instantâneos 3D numa grade Yin-Yang: 2 × 137 × 47 direções × 2400 zonas radiais = 12 878 raios, com densidade, Yₑ, temperatura, velocidade e composição. Épocas de ~0,3 s a ~10 s após o rebote — a janela em que o choque cruza a ressonância H.
Azul, não vermelha — e por que isso importa
A próxima supernova galáctica será quase certamente uma supergigante vermelha. A banda (t, E) onde o efeito vive fica dentro do núcleo de hélio, que não sabe a cor do envelope; Janka acha que o resultado se transfere. É um argumento, ainda não um cálculo.
Dados: Garching CCSN Archive, cortesia de H.-Th. Janka e A. Wongwathanarat (MPA). Wongwathanarat, Müller & Janka, A&A 577, A48 (2015); Utrobin et al., A&A 624, A116 (2019); ApJ 914, 4 (2021).
Contexto · o diagrama de Hertzsprung–Russell
Supergigantes azuis e vermelhas
ESO · CC BY 4.0 · marcações nossas
Estrelas de mais de ~8 M☉ terminam a vida no topo do diagrama, como supergigantes. A cor diz o tamanho do envelope de hidrogênio:
| azul | vermelha | |
|---|---|---|
| exemplo | Sanduleak −69 202 | Betelgeuse |
| temperatura | ~16 000 K | ~3 600 K |
| raio | ~50 R☉ | ~800 R☉ |
| luminosidade | ~10⁵ L☉ | ~10⁵ L☉ |
A SN 1987A foi a exceção: uma supergigante azul, compacta. Os seis modelos de Garching foram feitos para ela. A maioria das supernovas de colapso — e provavelmente a próxima na Galáxia — vem de supergigantes vermelhas.
Para o nosso efeito, o que importa é o núcleo de hélio, que é parecido nas duas: o envelope fica muito além da ressonância H.
O problema
Uma onda de choque cruza a ressonância
Nos primeiros segundos após o rebote, a frente de choque está sobre a ressonância H. O que decide o sabor que o DUNE mede é a forma de uma onda de choque.
| ordenamento | Pee adiabático |
|---|---|
| normal | 0,022 |
| invertido | 0,30 |
Um fator 13 na sobrevivência de νₑ — e argônio conta justamente νₑ.
A lacuna
Três etapas, e só duas amadureceram
1 · Hidrodinâmica
Modelos 3D entregam fluxos resolvidos em tempo e ângulo.
2 · Transformação de sabor — esta etapa
No SNEWPY 1.5.1, para MSW padrão, só dois números: PH = 0 e PH = 1. Nenhuma das dez classes depende do tempo após o rebote.
3 · Detector
SNOwGLoBES converte fluxos em taxas de eventos.
“the shock front is steepened artificially to reintroduce the physical requirement of a density discontinuity which is lost in hydrodynamic simulations”
Tomàs et al. (2004) já afiavam a frente à mão. Vinte anos depois, a correção sumiu: trabalhos recentes passam 24 modelos 3D por uma constante adiabática.
O que a citação quer dizer
Afiar a frente: devolver o degrau
“the shock front is steepened artificially to reintroduce the physical requirement of a density discontinuity which is lost in hydrodynamic simulations”
1 · Na natureza: um degrau
A densidade salta numa espessura de centímetros. Para um neutrino que oscila em dezenas de km, é uma descontinuidade perfeita.
2 · Na simulação: uma rampa
Shock capturing: viscosidade numérica espalha o choque por ~1,6–1,7 células. Posição e força certas; largura definida pela grade, não pela física.
3 · A hidro não liga; o neutrino sim
A conservação através do choque não depende da largura. O MSW depende só dela: γ ∝ largura / Losc. Rampa: γ ≈ 5, PH ≈ 0. Degrau: γ ≈ 0,01, PH até ~0,85.
4 · O remédio: afiar à mão
Localiza-se a frente e troca-se a rampa por um degrau, com as mesmas densidades dos dois lados. “Artificial” devolve uma propriedade física que a grade destruiu.
A simulação acerta onde está o choque — mas não sabe quão abrupto ele é. E o neutrino só se importa com isso.
A régua do critério
Adiabaticidade, e o comprimento que mede tudo
Na ressonância, os dois autoestados de matéria quase se tocam. Se o neutrino atravessa devagar, acompanha o autoestado e PH = 0. Se atravessa depressa, salta, e PH → 1.
“Devagar” e “depressa” se medem contra um único comprimento, o de oscilação na ressonância:
É esta a régua das próximas laminas
O critério de que uma estrutura só perturba a conversão se for mais curta que Losc é medido nessa unidade. E a largura de frente gravada em M15-7b, 284 km, são exatamente 4,2 Losc.
Conclusão 1 · o critério
O que a ressonância consegue ver
Uma estrutura só perturba a conversão se for mais curta que Losc na ressonância. Abaixo disso, o efeito cresce com o quadrado do contraste — medido como potência 2,02 ± 0,03 — e satura em 8%.
| estrutura | contraste | escala < Losc? | veredito |
|---|---|---|---|
| turbulência | 7×10⁻⁴ | ✓ | 111× abaixo da saturação |
| convecção, SASI | 𝒪(1) | ✗ grande demais | nada |
| frente de choque | 𝒪(1) | ✓ descontinuidade | saturada |
Mas numa simulação…
A frente não tem largura física
O choque real tem centímetros. O arquivo guarda a largura do esquema numérico.
| modelo (Garching) | largura (Losc) | zonas |
|---|---|---|
| M15-7b | 4,20 | 1,67 |
| W16-3 | 3,81 | 1,65 |
| W18-3 | 3,52 | 1,64 |
| W18r-2 | 3,76 | 1,63 |
| W18x-2 | 4,67 | 1,65 |
| W20-5 | 4,22 | 1,65 |
Todos acima do limiar ≃ 3 Losc: propagar o arquivo como vem devolve o adiabático. Um nulo produzido pela resolução.
Dashboard · o painel do GHOST
O choque alcança a ressonância em t ≈ 3 s
Conclusão 2 · o custo
Restaurar a frente remove metade de PH
0,44–0,76
ΔPH absoluto, seis progenitores, 5 a 100 MeV (mediana 0,56)
O arquivo como gravado devolve o limite adiabático em 99,9% dos raios. Com a frente restaurada, o espalhamento (d.p. 0,32) é de onde uma supernova é sorteada.
A forma fechada acompanha raio a raio: Pearson 0,9987, sem parâmetro livre.
Conclusão 3 · no detector
Alguns por cento, com sinal que depende da fonte
| família de modelos | viés na contagem CC de νₑ |
|---|---|
| Nakazato | −4,0 a −4,2% |
| Garching | −3,9 e −4,4% |
| Sukhbold | −2,9% |
| Fornax 2022 | +1,3 e +1,4% |
SNOwGLoBES, argônio 40 kt a 10 kpc.
Um viés de sinal fixo seria absorvido num fator de correção. Um cujo sinal segue a hierarquia de sabores da fonte não é — e fica degenerado com as grandezas espectrais que se quer extrair.
Sobrevive nos dois ordenamentos, por razões diferentes: −4,1% no normal, −5,4% no invertido. Não dá para evitar o sistemático escolhendo um ordenamento.
Conclusão 4 · onde procurar
O erro vive numa banda, em forma fechada
O erro não está espalhado: ele ocupa uma banda no plano tempo-energia, e a banda tem forma fechada.
Ela sai do perfil de densidade pré-supernova, dados o raio do choque e a compressão. Sem nenhum cálculo de sabor.
E ela fecha: passado t ≃ 4 s, o choque já deixou a região de densidade que a ressonância H ocupa nas energias observáveis.
Conclusão 4 · a armadilha
Cada progenitor tem a sua banda
Cinco progenitores irmãos, no mesmo instante, cobrem de 1,4 a 61,6 MeV. E nenhuma energia cai dentro de todas as cinco bandas.
A consequência prática
Comparar modelos numa energia fixa devolve um falso nulo: em cada modelo você estará fora da banda de algum outro.
Caímos nessa armadilha antes de medi-la.
A banda depende da estrutura pré-supernova de cada estrela, que difere entre progenitores mesmo de mesma massa inicial.
Com honestidade
O que isto resolve e o que não resolve
Três afirmações
- Um critério com número: a resposta se extingue acima de ≃ 3 Losc. “Afiar a frente à mão” vira uma condição verificável.
- O custo: 0,44–0,76 em PH e alguns por cento na contagem em argônio, com sinal dado pela fonte.
- Onde olhar: a banda em (t, E), em forma fechada, a partir da estrutura pré-supernova.
Limites
- As escalas que agem não estão em modelo nenhum: as grades não resolvem nada abaixo de 4,7 Losc. A amplitude da turbulência é extrapolada.
- Só supergigantes azuis (seis modelos de Garching).
- Ainda não é um observável: poucos σ a 10 kpc, com escala 1/d.
R. C. R. de Lima, Which density structures affect supernova neutrino flavour conversion, and the shock front at the MSW resonance — em preparação (2026).
Síntese
Quatro coisas para levar para casa
1
Oscilação de sabor é interferência de fases. A fase é ∫pμdxμ — e isso vale em qualquer geometria.
2
Supernovas e colapsares emitem neutrinos a poucos rs. Ali, redshift, desvio e grandezas locais não são correções: são a física.
3
A gravidade não só atrapalha: com vários caminhos, ela mede mk². DUNE e a rede SNEWS estão prontos para a próxima supernova galáctica.
4
Numa supernova, só a frente de choque passa no critério da ressonância — e as simulações a guardam larga demais. Restaurá-la muda PH em 0,44–0,76 e a contagem no DUNE em alguns por cento.
Referências
Para ir além
Premissas
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R. C. R. de Lima, em preparação (2026)
Créditos das imagens
Fotos e figuras de uso livre
Albert Einstein — Ferdinand Schmutzer / Adam Cuerden · domínio público
Eclipse de 1919 — ESO/Landessternwarte Heidelberg-Königstuhl/F. W. Dyson, A. S. Eddington, & C. Davidson · CC BY 4.0
Karl Schwarzschild — autor desconhecido · domínio público
M87* — Event Horizon Telescope, uploader cropped and converted TIF to JPG · CC BY 4.0
Sgr A* — EHT Collaboration · CC BY 4.0
GW150914 — B. P. Abbott et al. (LIGO Scientific Collaboration and Virgo Collaboration) — full list… · CC BY 3.0
PSR B1913+16 — Inductiveload · domínio público
Nebulosa do Caranguejo — NASA, ESA, J. Hester and A. Loll (Arizona State University) · domínio público
SN 1987A — ESA/Hubble & NASA · CC BY 4.0
WR 124 (JWST) — NASA, ESA, CSA, STScI, Webb ERO Production Team · CC BY 4.0
Mecanismo de GRB — NASA/Goddard Space Flight Center/ICRAR. · domínio público
Ilustração de GRB — (Credit: NASA/CXC/M.Weiss) · domínio público
IceCube Lab — John Hardin · CC BY 4.0
Esquema do IceCube — Karen Andeen and Matthias Plum for the IceCube Collaboration · CC BY 4.0
Estrela de nêutrons (ilustração) — (Credit: CXC/M. Weiss) · domínio público
JUNO — JUNO Collaboration: Angel Abusleme, Thomas Adam, Shakeel Ahmad, Rizwan Ahmed,… · CC BY 4.0
Hyper-Kamiokande — Shota Izumiyama (Tokyo Inst. Tech.) for the Hyper-Kamiokande collaboration · CC BY 3.0
ProtoDUNE — Markbenecke · CC BY-SA 4.0
Animação da supernova (vídeo) — NASA's Goddard Space Flight Center Conceptual Image Lab (Jonathan North) · domínio público
Diagrama de Hertzsprung–Russell — ESO · CC BY 4.0
Figuras e painel do choque da Parte III — R. C. R. de Lima (GHOST); perfis derivados do Garching CCSN Archive (M15-7b, A. Wongwathanarat); os arquivos originais não são redistribuídos
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