Estudo matéria em condições que nenhum laboratório na Terra alcança: densidades acima da densidade nuclear de saturação e campos magnéticos da ordem de 1014–1015 gauss. O laboratório são os objetos compactos — estrelas de nêutrons, magnetares, anãs brancas massivas e magnetizadas — e a pergunta atravessa a ponte nos dois sentidos: que equação de estado a matéria obedece lá dentro, e que assinatura observável isso deixa aqui fora.
Do lado da matéria: as fases pasta nucleares e como campos magnéticos intensos reorganizam sua estrutura; equações de estado com graus de liberdade de quarks; e os vínculos que massa máxima, raio e deformabilidade de maré impõem sobre elas.
Do lado da observação: curvas de luz em raios X e o que revelam sobre a geometria do campo magnético — a evidência de um campo multipolar no magnetar do centro galáctico, SGR J1745−2900, saiu dessa análise; a natureza rotation-powered de SGRs e AXPs; emissão térmica de anãs brancas em rotação rápida; e a identificação de 3XMM J185246.6+003317 como um magnetar massivo de campo baixo.
Uma linha nova, que estou explorando agora: oscilações de neutrinos em espaços-tempos curvos — o que muda na fase de oscilação quando a propagação segue uma geodésica em vez de uma reta, e o que a gravidade acrescenta ao efeito MSW. Com Rogério Capobianco, calculei essa fase no dihole de Majumdar–Papapetrou, dois buracos negros extremos de mesma massa em equilíbrio: as trajetórias que ligam a fonte ao detector interferem, e a probabilidade de transição passa a depender das massas individuais dos neutrinos e, com mistura não máxima, do ordenamento de massas (arXiv:2610.41960). Participo também da colaboração DUNE. Com Pedro Martins Bailer, um preprint recente mostra que a largura numérica da frente de choque nas simulações de supernova pode tornar a conversão MSW artificialmente adiabática, e estima o efeito na contagem de νe num detector de argônio de 40 kt, como o do DUNE (arXiv:2610.27158); as contas usam o GHOST, código aberto de propagação de sabor. Apresentei essa linha na II Escola Brasileira de Neutrinos, em 2 de outubro de 2026 — os slides estão abertos, com dashboards interativos.
Há ainda uma linha computacional e didática: ferramentas que tornam manipulável o que normalmente só existe como símbolo no papel — ODEROM, TESSERA, ÁLETRA, PATHS e SUCURI, todos abertos para uso e rodando no navegador.
I study matter under conditions no laboratory on Earth can reach: densities above nuclear saturation and magnetic fields of order 1014–1015 gauss. Compact objects are the laboratory — neutron stars, magnetars, massive and magnetized white dwarfs — and the question crosses the bridge in both directions: which equation of state does matter obey in there, and what observable signature does that leave out here?
On the matter side: nuclear pasta phases and how strong magnetic fields reorganize their structure; equations of state with quark degrees of freedom; and the constraints that maximum mass, radius, and tidal deformability place on them.
On the observational side: X-ray light curves and what they reveal about magnetic field geometry — the evidence for a multipolar field in the Galactic-centre magnetar SGR J1745−2900 came out of that analysis; the rotation-powered nature of SGRs and AXPs; thermal emission from fast-rotating white dwarfs; and the identification of 3XMM J185246.6+003317 as a massive, low-field magnetar.
A new line I am exploring right now: neutrino oscillations in curved spacetimes — what changes in the oscillation phase when propagation follows a geodesic rather than a straight line, and what gravity adds to the MSW effect. With Rogério Capobianco, I computed this phase in the Majumdar–Papapetrou dihole, two equal-mass extremal black holes in equilibrium: the trajectories joining source and detector interfere, and the transition probability comes to depend on the individual neutrino masses and, for non-maximal mixing, on the mass ordering (arXiv:2610.41960). I am also a member of the DUNE collaboration. With Pedro Martins Bailer, a recent preprint shows that the numerical width of the shock front in supernova simulations can make the MSW conversion artificially adiabatic, and estimates the effect on the νe count in a 40 kt argon detector such as DUNE’s (arXiv:2610.27158); the calculations use GHOST, an open flavour-propagation code. I presented this line at the II Brazilian School of Neutrinos on 2 October 2026 — the slides are open, with interactive dashboards.
There is also a computational and pedagogical line: tools that make manipulable what usually exists only as symbols on paper — ODEROM, TESSERA, ÁLETRA, PATHS and SUCURI, all open to use and running in the browser.
- Estrelas de nêutronsNeutron stars
- Magnetares · SGRs · AXPsMagnetars · SGRs · AXPs
- Anãs brancas magnetizadasMagnetized white dwarfs
- Equação de estado da matéria densaDense-matter equation of state
- Fases pasta nuclearesNuclear pasta phases
- Estrelas de quarksQuark stars
- Astronomia de raios XX-ray astronomy
- Neutrinos em espaço-tempo curvoNeutrinos in curved spacetime
- DUNE
- Relatividade GeralGeneral Relativity
Formação: bacharelado (2005) e mestrado (2008) em Física pela UFSC; doutorado em Física Nuclear pela UFSC com estágio na Universidade de Coimbra (2012); pós-doutorado em Astrofísica Relativística na Sapienza Università di Roma / ICRANet (2014–2016). Education: BSc (2005) and MSc (2008) in Physics, UFSC; PhD in Nuclear Physics, UFSC with a sandwich period at the University of Coimbra (2012); postdoc in Relativistic Astrophysics at Sapienza Università di Roma / ICRANet (2014–2016).